By Samantha Cortijo • September 15, 2020

Como as academias atendem grupos de risco em meio à pandemia

A IHRSA conversou com quatro academias líderes do setor em programas de saúde e bem-estar para grupos de risco. Veja como eles adaptaram seus serviços para continuar atendendo.

Para muitos proprietários de academias, possuir um negócio fitness se torna um propósito para ajudar suas comunidades a terem vidas ativas e mais saudáveis. Muitas academias oferecem programação especializada para pessoas com ou em risco de doenças crônicas, idosos ou pessoas com deficiência. Isso não é apenas uma programação extra, mas uma parte fundamental da sua missão nos negócios.

O COVID-19 virou o mundo fitness de cabeça para baixo, especialmente para academias cujo público principal consistia em grupos com maior risco de desenvolver um caso mais grave de COVID-19. Surge então um grande desafio: Como podemos manter a oferta para esses membros, ao mesmo tempo que priorizamos sua segurança dentro ou fora da academia?

A IHRSA conversou com quatro academias líderes do setor em programas de saúde e bem-estar.

Programas pré-COVID-19 abordaram uma variedade de questões de saúde e bem-estar.

As quatro academias oferecem programas para pessoas com:

  • Mal de Parkinson;
  • Câncer;
  • Lesão da medula espinal;
  • Deficiência intelectual;
  • Sedentárias ou em risco de doenças crônicas.


Por exemplo, a Atlantic Club, uma academia com licenciamento médico, oferece P.R.E.P. (Programa de Exercícios com Referência Médica), uma introdução de 60 dias à aptidão física. A academia conta com a assistência de 225 médicos encaminhando pacientes sedentários ou em risco de doenças crônicas para o programa, que conta com uma equipe exclusivamente dedicada à eles.

Outras ofertas incluem:

  • Aconselhamento nutricional HealthyCare;
  • Exercícios para pacientes com câncer;
  • Programas Sênior para envelhecimento ativo;
  • Delay the Disease (Programa para pessoas com doença de Parkinson).

O Gainesville Health and Fitness Center (GHF) administra o “Fit for ALL”, um programa de treinamento inclusivo para pessoas com deficiência intelectual. Antes do fechamento devido ao COVID-19, o programa - uma colaboração com a organização local das Olimpíadas Especiais - atendeu aproximadamente 50 atletas com a assistência de 65 alunos voluntários.



A Active Wellness, que opera locais corporativos e centros de fitness comunitários no norte da Califórnia, também oferece o p.r.e.p. em muitas de suas unidades. Além do p.r.e.p., Active Wellness possui diversos programas específicos para doenças, incluindo:

  • Bem-estar do câncer;
  • Reabilitação cardíaca;
  • Boxe para Parkinson;
  • Diabetes e controle de peso;
  • Prevenção à quedas;
  • Gerenciamento de estresse.

Healthtrax, uma rede de academias no Nordeste dos EUA que opera em 16 locais, executou uma série de programas antes do COVID-19, incluindo:

  • Healthy Steps: um programa de controle de diabetes e perda de peso de longo prazo que integra nutricionistas dietistas e fisioterapeutas licenciados;
  • Um centro com grupo de apoio à cirurgia bariátrica;
  • Reabilitação Cardíaca de Fase 1 e Fase 2 administrada em parceria com um hospital;
  • Serviços de saúde aliados, incluindo aconselhamento nutricional e fisioterapia;
  • p.r.e.p. (Programa de Exercícios com Referência Médica) .

Adaptando programas à pandemia

Em meio ao fechamento generalizado, muitas academias tornaram seus serviços virtuais, inclusive os programas de saúde. A Active Wellness, por exemplo, mudou todos os seus programas para ofertas virtuais, incluindo aulas em grupo, treinamento pessoal, treinamento de saúde e workshops educacionais. De acordo com Michele Wong, vice-presidente de operações da Active Wellness: “implementamos novos procedimentos de segurança adaptados para cada local em colaboração com nossos parceiros de saúde”.

O Atlantic Club está trabalhando para disponibilizar seus serviços de aconselhamento nutricional online, bem como analisar quais tipos de conteúdo virtual e serviços eles podem desenvolver para os grupos sedentários ou em risco que podem não querer voltar ao presencial inicialmente. O plano é lançar esses serviços 45-60 dias após a reabertura (no momento da redação deste artigo, as academias de Nova Jersey ainda estavam fechadas).

Embora o GHF tenha sido reaberto, eles não puderam retomar seu programa. O “Fit for ALL” depende de alunos voluntários da Universidade - que está fechada - para operar. Outro desafio é que muitas das casas comunitárias e organizações locais que trazem atletas para o programa estavam sob uma rígida ordem de fechamento e isolamento social. (A partir da data de publicação deste artigo, o GHF planeja retomar seu programa em setembro, com algumas organizações parceiras retirando suas restrições.)

Eles estão trabalhando na adaptação do programa para fornecer aos atletas opções para treinar em casa com seus cuidadores. De acordo com Noah Hastay, gerente de operações do GHF, a adaptação “inclui vídeos e instruções escritas nas quais os exercícios podem ser regredidos ou progredidos com base nos níveis de habilidade individual de cada atleta. Os vídeos serão feitos com exercícios que os atletas já conhecem das aulas presenciais, mas adaptados com equipamentos caseiros.”



Superando os desafios do COVID-19 com flexibilidade e opções virtuais

As academias anteciparam os desafios em torno da confiança do médico e da disponibilidade digital da equipe.

 

“Resumindo, nós somos a solução para a pandemia. Sistemas imunológicos mais fortes darão às pessoas uma chance melhor de lutar contra o vírus. ”

Steve Cappezzone, CEO

Healthtrax Fitness & Wellness



O Atlantic Club observa a necessidade de se concentrar na reabertura e nos protocolos de segurança, e há quanto tempo as academias estão fechadas e não operam os programas. Com capacidade limitada e potencial preocupação dos médicos sobre exercícios presenciais para alguns grupos, eles antecipam um declínio dos encaminhamentos médicos.

A Active Wellness reconhece os desafios de continuar seus programas de referência médica, mas eles se concentraram em trabalhar com médicos e pacientes para atender às necessidades dos pacientes - não importa onde eles estejam:

“Tivemos que trabalhar com esses grupos e os médicos que os encaminham para equilibrar o risco de exposição ao COVID-19 com os benefícios do programa. Para alguns de nossos participantes, isso significou apenas uma participação virtual com base em seus nível de conforto e orientação do médico. Em alguns casos se exigiu um pouco mais de apoio para ajudar nossos membros a se adaptarem ao uso da tecnologia, que pode não ser de muita familiaridade para eles. O mais importante é que, não importa como o façamos, nosso objetivo é manter a conexão de todas as maneiras possíveis” , analisa Wong.

Enquanto isso, para o GHF, o maior desafio era fazer com que a programação virtual funcionasse para os diferentes grupos que atendem. Hastay afirma: “Trabalhamos com pessoas com deficiência intelectual, física e/ou cognitiva, por isso pode ser um desafio ter um conteúdo aplicável a todos”.

Para a Healthtrax, o medo do consumidor e as regulamentações governamentais têm sido o maior desafio. O CEO da Healthtrax, Steve Capezzone comenta: “Obviamente, as pessoas com doenças pré-existentes ainda não se sentem confortáveis ​​em voltar, mas também são incentivadas a ficar em casa devido aos vários regulamentos estaduais.”

 

 

Mantendo Seus Membros de Maior Risco Seguros e Tranquilos

As quatro academias enfatizaram os protocolos de limpeza e segurança. Que incluem:

  • Aprimoramento dos procedimentos de limpeza e higienização. Como disse o COO do Atlantic Club, Kevin McHugh, “a academia é como um centro cirúrgico, com o mesmo nível de sanitização, bem como o distanciamento social.”
  • Distanciamento social de pelo menos seis pés entre os participantes em todos os momentos.
  • Verificações de temperatura e triagem de sintomas do COVID-19 em funcionários e membros.
  • Uso de máscara para funcionários e membros (exceto durante o exercício);
  • Procedimentos de ionização no sistema de climatização 

Ao planejar a retomada do programa Fit for ALL, Hastay e GHF se concentraram na limpeza, evitando a contaminação cruzada e implementando uma política de máscara. Ele diz: “Vamos garantir que todos os equipamentos sejam desinfetados e higienizados antes e depois do uso. Em vez de se locomover pelas estações, os atletas ficarão em um único local e usarão o mesmo equipamento durante todo o treino para evitar contaminação cruzada. Atletas e voluntários serão pré-selecionados antes do retorno e antes de cada aula, em um futuro próximo. Os voluntários usarão máscara o tempo todo, e os atletas deverão usar máscaras quando não estiverem realizando exercícios.”

Quando o Atlantic Club reabrir, eles disponibilizarão programas especializados para idosos de limpeza e desinfecção adicional para reduzir o risco. McHugh diz: “Não se trata somente da nossa academia ser SEGURA… são as preocupações de risco pré-existentes nesses grupos, seja por doenças crônicas ou pela idade. Temos protocolos que excedem em muito nossas diretrizes.”


A Active Wellness também implementou verificação de sintomas e checagem de temperatura:

“Implementamos estações de saneamento adicionais e medidas de limpeza aprimoradas, sinalização de distanciamento social, um novo código de conduta para membros e emitimos EPIs para todos os nossos funcionários. Também tivemos que contar com agendamento online para cada serviço, evento e compromisso para garantir que estamos prontos para atender nossos membros quando eles chegarem, mantendo níveis de participação seguros” , diz Wong. 

“Em alguns casos, mudamos os programas para ao ar livre, onde há espaço disponível. Onde não foi possível mover o equipamento, colocamos sinalização e desconectamos o equipamento para garantir um espaço adequado entre cada peça do equipamento em uso ”, complementa Wong.

Capezzone também falou sobre a importância de se comunicar com os membros regularmente: “Estamos seguros, embora muitos membros e pacientes estejam evitando o retorno. Estamos trabalhando muito para mantê-los informados sobre todos os novos padrões e incentivá-los a participar de nossas aulas virtuais se ainda não estiverem prontos para o retorno. ”

Lidando com as preocupações dos membros

“Para garantir que nossos membros se sintam seguros, compartilhamos nosso compromisso de ser transparentes sobre qualquer caso confirmado de COVID-19 entre nossa equipe ou membros.”

Michele Wong, vice-presidente de operações

Active Wellness, San Francisco, CA



O Atlantic Club e o Healthtrax aproveitaram para fazer vídeos garantindo aos membros que sua academia é segura:

“Desenvolvemos e enviamos aos nossos membros vídeos que mostram como realocamos nossos equipamentos respeitando o distanciamento social. Criamos três espaços fitness distintos: o Cardio Studio, o Technogym Selectorized Studio, e o novo Free Weight Studio. Realizamos um vídeo de ciclismo e um de exercício em grupo, mostrando o distanciamento social, e nosso novo uso do espaço. Recentemente finalizamos um vídeo de sanitização e limpeza que mostra como somos seguros e limpos e como incorporamos produtos não tóxicos para eliminar todos os patógenos” , comenta McHugh

De acordo com Capezzone: “A Healthtrax produziu vídeos de nossas instalações e os publicou em nosso site. Estamos fazendo uma tonelada de comunicações e atualizações aos membros para mantê-los informados.”

“Resumindo, nós somos a solução para a pandemia. Sistemas imunológicos mais fortes darão às pessoas uma chance melhor de lutar contra o vírus ”, acrescenta Capezzone.

O Atlantic Club também está aproveitando as ofertas virtuais. Eles adicionaram um Group Cycling Studio (grupo de ciclismo virtual) e lançaram aulas com um novo sistema de som em todos os seus estúdios, bem como duas telas de 75 polegadas para a programação das aulas virtuais.

Os membros do GHF também se preocupam com os efeitos de um estilo de vida inativo: “Os membros de alto risco definitivamente têm medo de retornar; no entanto, muitos têm mais medo de não vir do que um estilo de vida sedentário pode trazer a sua saúde em geral”, diz Hastay.

Wong, da Active Wellness, discutiu a importância de tranquilizar os membros por meio da transparência: “Para garantir que nossos membros se sintam seguros, compartilhamos nosso compromisso de ser transparentes sobre qualquer caso confirmado de COVID-19 entre nossa equipe ou membros.”

“Felizmente não tivemos que comunicar tal situação, mas sabemos que é uma possibilidade, mesmo com todas as medidas de precaução em vigor. Não queremos que nossos membros se perguntem se houve alguma exposição. Esperamos que eles se sintam seguros de que nenhuma notícia desta natureza significa boa notícia”, complementa Wong.

Por Alexandra Black Larcom

Traduzido por Samantha Cortijo